O bilhete para a Web Summit custa 995 euros. Há uma forma oficial de entrar sem pagar nada
A Web Summit volta ao MEO Arena de 9 a 12 de novembro. O bilhete geral está nos 995 euros, mas o programa de voluntariado da organização dá entrada gratuita a quem trabalhar no evento, com acesso às conferências nas horas de folga.
Há duas maneiras de estar dentro do MEO Arena em novembro. Uma custa 995 euros.
A Web Summit regressa a Lisboa de 9 a 12 de novembro e a tabela de preços já está publicada. O bilhete de participante geral está nos 995 euros, descontado de um valor de tabela de 1.595 euros. O passe VIP fica em 1.950 euros. E no topo, para quem quiser sala própria, entrada rápida e acesso ao lounge dos oradores, há o bilhete Chairperson a 24.950 euros — vinte e cinco vezes o bilhete normal, para os mesmos quatro dias.
A outra maneira não custa nada, e é a própria organização que a anuncia.
O que o voluntariado dá, e o que pede
A Web Summit mantém um programa de voluntariado que troca trabalho no evento por um bilhete gratuito. Quem entra fica com as tarefas que fazem uma conferência de quatro dias funcionar: credenciação, acompanhamento de oradores, orientação de quem se perde entre pavilhões. Em troca, além do passe, a organização promete acesso às sessões durante as horas de folga.
Não é um bilhete oferecido, portanto. É um bilhete trabalhado, e convém entrar com essa expectativa. Para quem está a começar na área, ou acabou de chegar ao país e quer conhecer gente, é provavelmente a forma mais barata de passar quatro dias no meio de setenta mil pessoas do sector — número que é da organização, e que ela repete em quase todas as páginas.
Quem já está confirmado
O cartaz de oradores de 2026 tem o que se espera: Matthew Prince, da Cloudflare, Mike Cannon-Brookes, da Atlassian, Markus Villig, o fundador da Bolt, e Henna Virkkunen, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia com a pasta da soberania tecnológica.
E depois tem o resto, que diz mais sobre para onde a Web Summit está a olhar. Maria Sharapova. Thibaut Courtois, guarda-redes do Real Madrid, listado como investidor. James Vowles, chefe da equipa Williams de Fórmula 1. Zanny Minton Beddoes, diretora do Economist. A conferência continua a chamar-se tecnológica, mas o palco anda cada vez mais cheio de desporto e de geopolítica.
O programa de 2026 está organizado em dezassete tracks temáticas, do capital de risco à energia.
Vale a pena, vindo de onde se vem
Portugal recebe o maior evento tecnológico da Europa ao mesmo tempo que lidera a UE em fibra e 5G e fica atrás na competência para usar essas redes — o contraste é velho e continua a explicar boa parte do debate sobre o sector cá dentro.
Se o objetivo for formação concreta em vez de palco, há alternativas mais pequenas e igualmente gratuitas: em outubro, por exemplo, decorre em Braga um laboratório de inteligência artificial aberto a PME, com candidaturas até dia 16.
As candidaturas a voluntário e a compra de bilhetes fazem-se ambas no site oficial do evento. O MEO Arena fica no Parque das Nações, com metro à porta na estação Oriente — em novembro, e com setenta mil pessoas na cidade, o carro é a pior ideia de todas.
Por Leonor Sampaio
Imagem: Web Summit