Bruxelas quer seguradoras e fundos de pensões a financiar tecnológicas europeias. Já há 13 interessados
Bancos, seguradoras e fundos de pensões manifestaram intenção de aderir a um pacto voluntário com a Comissão Europeia e o Grupo BEI para canalizar capital de longo prazo para as tecnológicas europeias em fase de crescimento — o mecanismo que deve chegar aos 15 mil milhões de euros já prometidos.
Treze investidores institucionais — bancos, fundos de pensões e companhias de seguros — já manifestaram intenção de aderir a um novo pacto voluntário lançado esta semana pela Comissão Europeia e pelo Grupo Banco Europeu de Investimento (BEI), na cimeira TechEU Equity Summit de 23 de setembro. O objetivo: canalizar capital institucional de longo prazo para os fundos de capital de risco e de crescimento de que as tecnológicas europeias precisam para crescer sem ter de ir buscar dinheiro — e muitas vezes mudar de morada — aos Estados Unidos.
O pacto é a peça que faltava conhecer na segunda fase da Iniciativa Campeões Tecnológicos Europeus (ETCI 2.0), à qual Portugal já tinha aderido em julho sem que estivesse fechado como é que os 15 mil milhões de euros da meta — quatro vezes mais do que a primeira edição de 2023 — seriam efetivamente levantados. A resposta, dois meses depois, é esta: um compromisso voluntário de investidores privados, ao lado dos Estados-membros. O pacto aponta também para o Fundo Europeu para Empresas em Fase de Expansão, de 5 mil milhões de euros, que serve o mesmo objetivo.
Duas frentes, um só alvo: os 80 mil milhões
Nem o ETCI 2.0 nem o fundo de expansão trabalham sozinhos — os dois alimentam a mesma meta de mobilizar até 80 mil milhões de euros de investimento total para 1.500 tecnológicas europeias em expansão, anunciada quando Portugal e os restantes 26 Estados-membros aderiram à iniciativa. O BEI já se tinha comprometido com até 1,25 mil milhões de fundos próprios; o que muda agora é a porta aberta ao dinheiro privado de longo prazo, o tipo de capital que normalmente financia reformas e não startups.
Para Portugal, a novidade direta ainda não chegou: o comunicado da Comissão não nomeia nenhum investidor institucional português entre os treze, e o valor com que o Estado português vai efetivamente entrar na iniciativa continua por fechar, com a “dimensão final” prometida ainda para o segundo semestre deste ano. O que este pacto mostra é que a Europa está finalmente a montar o mecanismo — falta agora ver quem, em Portugal, se sentar à mesa dos investidores.
Por Beatriz Mota
Imagem: Caroline Martin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 igo)