Este Resident Evil não traz um único personagem dos jogos
Zach Cregger escreveu uma história nova que corre em paralelo à noite de Raccoon City do segundo jogo, sem usar nenhuma das suas figuras. Estreou nos cinemas portugueses a 17 de setembro, com classificação M/16 e hora e meia de duração.
Oito filmes em vinte e quatro anos, dois reinícios, e é este o primeiro em que ninguém vai reconhecer o protagonista. Nem devia.
O Resident Evil que estreou nos cinemas portugueses a 17 de setembro segue Bryan, um estafeta de material médico que vai a caminho do hospital de Raccoon City quando o surto começa. Não é o Leon, não é a Claire, não é nenhum dos rostos que a Capcom construiu ao longo de três décadas. E a escolha é deliberada. Zach Cregger, que escreveu e realizou, explicou-a na entrevista que a própria PlayStation publicou em abril: contar a história do Leon seria redundante, porque os jogos já a contam bem, e o que lhe interessava era uma história que pudesse existir à margem de um deles.
O jogo em questão é o Resident Evil 2, de 1998. O filme passa-se na mesma noite, na mesma cidade, num tempo presente em vez do original, com o que Cregger descreve como umas quantas liberdades dramáticas pelo meio.
Quem está lá dentro
Austin Abrams faz o estafeta, depois de ter trabalhado com Cregger em Hora do Desaparecimento. Paul Walter Hauser, Zach Cherry e Kali Reis são cientistas e gente da Umbrella. A rodagem foi na Chéquia, entre Praga e Litoměřice, a partir de outubro do ano passado, com Dariusz Wolski na fotografia. Orçamento de 80 milhões de dólares, hora e meia de duração, M/16 em Portugal.
A referência que Cregger deu para o tom não foi nenhum dos filmes anteriores da série, que diz nunca ter visto. Foi Evil Dead II. Também disse que o filme não se parece com Barbarian nem com Hora do Desaparecimento, o que para quem viu esses dois é menos um aviso do que uma curiosidade.
Porque é que havia lugar para outro
O último reinício, Welcome to Raccoon City, saiu em 2021 e não funcionou nem com a crítica nem nas bilheteiras; a série da Netflix foi cancelada no ano seguinte. A Constantin Film voltou à estaca zero em 2022, contratou Cregger em janeiro de 2025 e provocou uma guerra de licitações entre quatro estúdios pelos direitos de distribuição, que a Columbia ganhou em março. A PlayStation Productions entrou na produção, o que explica porque é que a conversa mais franca sobre o filme acabou por sair no blogue da Sony e não numa revista.
Estreou a nível mundial no Fantastic Fest a 17 de setembro e chegou aos cinemas norte-americanos no dia seguinte, filmado para IMAX. Em Portugal já está em sala, o que o põe a competir com o Homem-Aranha que continua a encher salas desde o verão e com a estreia de Ridley Scott de agosto. A ficha portuguesa, com sessões e salas, está no site da Castello Lopes.
Por Lucy Bennett
Imagem: Sony Pictures / Columbia Pictures