A decisão da UNESCO sobre Vila Viçosa fica para Istambul, em 2027
O processo nacional abriu em agosto de 2018 e mudou de nome esta semana: o conjunto passa a chamar-se Vila Viçosa, Sede Ducal. A câmara quer a classificação como Monumento Nacional fechada até dezembro, muito antes de o comité do património mundial voltar a reunir-se.
Vila Viçosa tem duas candidaturas a decorrer ao mesmo tempo, e só uma delas depende de Paris. A confusão entre as duas é fácil de fazer, e vale a pena desfazê-la, porque os prazos são muito diferentes.
A primeira é a classificação nacional. Corre desde agosto de 2018, e esta semana mudou de nome: o Anúncio n.º 248/2026, publicado a 16 de setembro em Diário da República, altera a abertura do procedimento, redefine a zona especial de proteção provisória e troca a designação de Vila Viçosa, vila ducal renascentista por Vila Viçosa, Sede Ducal. Os novos documentos estão em discussão pública. O município conta ter a vila classificada como Monumento Nacional até ao final do ano.
Oito anos entre a abertura do processo e o texto que lhe fixa o nome. Não é um caso isolado no património português, mas é um número que ajuda a perceber por que razão a autarquia quer fechar esta parte primeiro.
E a UNESCO?
A segunda candidatura é a que dá manchetes, e é a que está mais longe. O dossiê foi aprovado por Portugal em setembro de 2025, homologado pelo Governo e alargado à Fundação da Casa de Bragança. O calendário previsto para 2026 não se cumpriu, por questões de procedimento, e a 48.ª sessão do comité do património mundial — Busan, em julho — passou sem Vila Viçosa. O horizonte é agora 2027, quando o comité se reúne em Istambul, entre 27 de junho e 7 de julho.
A classificação nacional não faz parte do processo conduzido pela UNESCO. É um objetivo do próprio município, e uma forma de chegar a Istambul com o dossiê arrumado em casa.
O que está em causa
A candidatura Vila Viçosa, Sede Ducal não propõe um monumento isolado. Propõe o conjunto urbano e monumental da vila: o Paço Ducal, o castelo, igrejas e conventos, o casario e a exploração do mármore que deu à terra o seu material e boa parte da sua história económica.
O Alentejo já sabe o que muda quando uma classificação destas pega. Évora vive com o título desde 1986 e continua a organizar à volta dele decisões tão pouco românticas como uma variante para tirar camiões de dentro da cidade. Para Vila Viçosa, a próxima data a marcar não é em Istambul. É dezembro.
Por Marta Carneiro
Imagem: GualdimG / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)