Montenegro pede o fim do "masoquismo coletivo" da energia, na ONU
No discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o primeiro-ministro criticou o mecanismo de formação do preço do petróleo, defendeu a solução de dois Estados no Médio Oriente e reafirmou o apoio de Portugal à Ucrânia.
Luís Montenegro subiu ao pódio da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, e escolheu começar por algo que toca a carteira de qualquer português: o preço dos combustíveis. Chamou-lhe uma “crise sem sentido” e pediu para acabar com “este masoquismo coletivo”, numa referência direta ao mecanismo que fixa o preço do petróleo a nível global, segundo o relato da ONU Portugal.
O argumento do primeiro-ministro é que economias inteiras continuam reféns da especulação e da volatilidade de um mercado que ninguém parece querer discutir a sério. Invocou as lições da crise petrolífera dos anos 1970, “para evitar repetir o que então sucedeu”, e insistiu que travar os conflitos ativos é também travar parte da crise energética.
Médio Oriente e Ucrânia
Sobre o Médio Oriente, Montenegro lamentou o número de vítimas civis e voltou a defender a solução de dois Estados, com Israel e a Palestina a “coexistir em paz e segurança”. Criticou ainda o Irão pelos ataques a países vizinhos, a navios e a infraestruturas civis, e opôs-se ao bloqueio do Estreito de Ormuz e às taxas impostas à navegação no Mar Vermelho.
Quanto à Ucrânia, não deixou margem para ambiguidades: garantiu o “apoio total” de Portugal ao país invadido pela Rússia, a par da União Europeia.
O discurso chega numa altura de intensa agenda externa para o chefe do governo, que nas últimas semanas esteve em Roma a reaproximar Portugal e Itália depois de mais de uma década sem uma visita oficial ao mais alto nível. Em Nova Iorque, a poucos meses de Portugal voltar ao Conselho de Segurança como membro não-permanente, elogiou o trabalho de António Guterres e defendeu um Conselho “mais representativo”, com lugares permanentes para África, o Brasil e a Índia.
No capítulo do clima, lembrou que “mais de 70% da produção energética” do país já vem de fontes renováveis, e pôs a liberdade de navegação e a proteção dos oceanos entre as prioridades da política externa portuguesa.
Imagem: Gabinete do Secretariado do Gabinete do Japão (内閣官房内閣広報室) / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)