Mais de 3.000 canetas num só dia: os portugueses gastam agora 1 milhão de euros em Mounjaro
A consultora HMR - Health Market Research revelou que as farmácias portuguesas venderam mais de 3.000 caixas do medicamento para emagrecer num único dia, a terceira vez que a marca do milhão de euros é batida desde agosto.
Portugal já tinha passado a marca de um milhão de euros em vendas de Mounjaro num único dia duas vezes, em agosto. Aconteceu de novo esta semana: as farmácias portuguesas venderam mais de 3.000 caixas do medicamento para emagrecer numa só jornada, segundo a consultora HMR - Health Market Research, que acompanha as vendas de mais de 2.600 farmácias e divulgou o número nas redes sociais. Não é um pico isolado. É a terceira vez desde o verão.
Quem paga, paga tudo
Cada caixa custa entre 180 e 400 euros, consoante a dosagem semanal. O Mounjaro não é comparticipado em Portugal, e é vendido apenas com receita médica. Isso significa que o milhão de euros desta semana saiu inteiro do bolso de quem comprou, numa altura em que as famílias portuguesas já sentem o aperto noutras frentes: as prestações da casa continuam a subir e as próprias contas do Estado voltaram ao vermelho no primeiro semestre.
De remédio para diabetes a fenómeno de vendas
O tirzepatido, o princípio ativo do Mounjaro, foi aprovado na Europa para a diabetes tipo 2 e para o controlo do peso em adultos com obesidade ou excesso de peso. Chegou às farmácias portuguesas no fim de 2024 e tornou-se, entretanto, o medicamento para a obesidade mais vendido do país, seguindo o caminho que o Ozempic e o Wegovy abriram antes dele.
Os números anuais já apontavam para aqui. Em 2025 venderam-se em Portugal mais de 572 mil embalagens de medicamentos para a obesidade, quase cinco vezes mais do que no ano anterior (uma subida de 378%). Em maio, os dados do Infarmed davam uma média de cerca de 613 mil euros por dia no primeiro trimestre, somando Mounjaro e Wegovy. Um único dia de um só desses medicamentos passa agora o milhão. É um pico, não a média, mas mostra bem para onde a curva está a ir.
Não há sinais de abrandamento. Enquanto não houver comparticipação para quem quer emagrecer, o preço mantém-se o mesmo, e a julgar pelos números desta semana os portugueses continuam dispostos a pagá-lo.
Por Beatriz Mota
Imagem: Raimond Spekking / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)