O fogo de Poiares e Arganil está em resolução. O dispositivo que o combateu perde 2.283 operacionais a 1 de outubro
Três focos juntaram-se numa só frente no sábado e chegaram a ocupar 806 operacionais, 260 viaturas e 15 meios aéreos. Três bombeiros ficaram feridos com gravidade ligeira. A fase máxima do DECIR 2026 acaba a 30 de setembro.
O incêndio que no sábado juntou Vila Nova de Poiares, Arganil e Góis numa só frente está em resolução desde as 00h45 de domingo. Ficaram no terreno mais de 300 operacionais, à espera de reacendimentos, que é sempre a parte silenciosa destas noites.
Começou com três focos. Dois deflagraram muito perto um do outro em Sabouga, na freguesia de Lavegadas, em Vila Nova de Poiares, com alerta pelas 13h40; o terceiro tinha sido registado cinco minutos antes na Murganheira, em Pombeiro da Beira, concelho de Arganil. Juntaram-se, e durante a tarde o fogo progrediu livremente em direção a Góis, com três povoações na linha das chamas. Chapinheira e Vila Nova de Ceira foram dadas como fora de perigo por volta das 23h30.
No pico, a ocorrência tinha 806 operacionais, 260 viaturas e 15 meios aéreos. Três bombeiros ficaram feridos, com gravidade ligeira; o comandante dos Bombeiros Voluntários de Arganil foi atingido por uma viatura no local.
Onze dias para o dispositivo mudar de tamanho
É aqui que a data importa. O combate a incêndios em Portugal não tem um efetivo fixo: a Diretiva Operacional Nacional n.º 2 divide o ano em fases, e a mais forte, a fase Delta, corre de 1 de julho a 30 de setembro com 15.149 operacionais, 3.463 viaturas e 50 meios aéreos.
A 1 de outubro passa-se à fase Charlie: 12.866 operacionais e 2.857 viaturas. São menos 2.283 pessoas e menos 606 veículos, de um dia para o outro. A 16 de outubro desce outra vez, para 9.964, e aí fica até ao verão seguinte.
Postos lado a lado, os dois números dizem a mesma coisa de duas maneiras. Um incêndio como o de ontem consumiu pouco mais de 5% de todo o efetivo nacional na sua fase máxima, e quase um terço dos 50 meios aéreos contratados. Daqui a onze dias, o mesmo incêndio encontraria um país com menos 2.283 operacionais para o dar.
O calendário e o tempo não combinam sempre
Nada disto é um erro de planeamento. As fases seguem o risco meteorológico médio, e outubro é, em média, muito mais húmido do que agosto. O problema é que uma média não é uma promessa: setembro tem dado fogos grandes bem depois da data em que a atenção pública já baixou, e este ano arderam menos hectares do que em 2025 mas com mais ocorrências — mais fogos, cada um mais pequeno, o que também significa mais dias com o dispositivo a trabalhar.
Vale a pena guardar a data mesmo que o outono chegue certinho. Em agosto, três fogos no Norte queimaram 5.200 hectares e um bombeiro de Arouca ficou em cuidados intensivos. A parte do ano em que a floresta arde não acaba com uma portaria; acaba quando chove.
Até lá, o período crítico mantém-se, com as regras que o acompanham: nada de queimadas, nada de fogueiras, nada de máquinas a trabalhar no mato às horas de mais calor.
Por Marta Carneiro
Gráfico: Tugadaily, sobre a Diretiva Operacional Nacional n.º 2 da ANEPC