A primeira fase da rega do Alvor custa 11,2 milhões e troca o canal aberto por conduta fechada
A empreitada da DGADR, financiada pelo PRR, tem 14 meses de prazo e trabalha na frente do reservatório da Bravura, no túnel do Monte Velho e na adutora. O Governo fala numa segunda fase de cerca de 40 milhões, ainda sem data.
O sistema que rega o Alvor foi desenhado para outra época. Nasceu à volta da barragem da Bravura, de 1958, para servir cerca de 1.800 hectares, e leva a água por canal aberto, à superfície, onde ela evapora e se infiltra durante todo o percurso.
A obra que está no terreno muda isso. A empreitada de modernização do Aproveitamento Hidroagrícola do Alvor, na sua primeira fase, vale 11.199.674,06 euros e tem 14 meses de prazo, com financiamento do PRR na submedida que existe precisamente para reduzir perdas de água e aumentar a eficiência no setor agrícola. É promovida pela Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, com projeto da TPF Consultores, empreitada da Cimontubo e fiscalização da P3.
O que está a ser feito
As frentes de obra são três: o reservatório da Bravura, a instalação de conduta no túnel do Monte Velho e a adutora. A lógica é a mesma em todas — em vez de demolir o que existe, mete-se tubo fechado dentro da infraestrutura antiga. É o primeiro passo da passagem de um sistema em canal, à superfície livre, para um sistema em conduta, pressurizado, que é a diferença entre transportar água e perdê-la pelo caminho.
O pacote apresentado pelo Governo em visita à obra, no final de agosto, é mais largo: cerca de 15 milhões de euros ao todo, com reservatório, estação elevatória, estação de filtragem, dois quilómetros de canal adutor intervencionados e painéis fotovoltaicos para alimentar a bombagem. As contas oficiais apontam para uma redução de perdas na ordem dos 60%, cerca de 19 milhões de metros cúbicos por ano.
A segunda fase existe em papel
O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, confirmou a intenção de avançar com uma segunda fase, estimada em cerca de 40 milhões de euros. Não há data de arranque nem financiamento fechado, o que em obra pública é a diferença entre um anúncio e um calendário.
Vale a pena manter a escala à vista. O Algarve entra em cada verão com a albufeira da Bravura entre as mais castigadas do país, e o resto do território tem os seus próprios sustos — em Almada, o ano passado, uma rotura deixou milhares de pessoas sem água. Dezanove milhões de metros cúbicos poupados por ano não resolvem a seca. Resolvem a parte do problema que é escolha nossa: a água que se perde entre a barragem e a árvore. O PRR, que paga esta empreitada, tem prazos próprios e contas para fechar.
Por Marta Carneiro
Imagem: Bextrel / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)