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Gráfico de barras comparando os limiares do ajuste direto antes e depois do Decreto-Lei 177/2026: obras 30 mil para 150 mil euros, bens e serviços 20 mil para 75 mil
Política 5 de setembro de 2026

As obras públicas até 150 mil euros deixam de precisar de concurso. Até agora o limite eram 30 mil

O Decreto-Lei n.º 177/2026, publicado esta sexta-feira em Diário da República, faz a décima sétima alteração ao Código dos Contratos Públicos e sobe quatro limiares de uma só vez. Entra em vigor a 1 de outubro.

Uma câmara municipal que queira mandar refazer o telhado de uma escola pode, a partir do mês que vem, escolher a empresa e assinar o contrato sem abrir concurso nenhum, desde que a obra não passe dos 150 mil euros. Até agora esse teto estava nos 30 mil. É cinco vezes mais.

A regra saiu esta sexta-feira em Diário da República. O Decreto-Lei n.º 177/2026 é a décima sétima alteração ao Código dos Contratos Públicos desde 2008 e entra em vigor a 1 de outubro, o que dá a quem contrata pouco menos de quatro semanas para se preparar.

Quatro limiares, todos para cima

O ajuste direto é o procedimento em que a entidade pública convida uma empresa e negoceia com ela. A consulta prévia é o degrau seguinte: convidam-se pelo menos três. Acima disso, concurso público.

Nas empreitadas de obras, o ajuste direto sobe de 30 mil para 150 mil euros e a consulta prévia salta de 150 mil para um milhão. Na compra de bens e serviços, o ajuste direto passa de 20 mil para 75 mil e a consulta prévia de 75 mil para 130 mil. São quatro tetos mexidos ao mesmo tempo, e o maior salto proporcional é o do milhão: quase sete vezes o valor anterior.

O Governo justifica a mudança com a morosidade dos procedimentos, a carga burocrática e a desatualização dos valores, que estão fixados desde 2008 sem acompanhar a inflação da construção. O objetivo declarado é executar o investimento público mais depressa, uma queixa que atravessa a execução dos fundos europeus e que já apareceu quando várias IPSS do distrito de Braga arriscaram perder financiamento do PRR por atrasos processuais.

O que muda além dos valores

O diploma faz mais do que subir tetos. Concentra no artigo 70.º os motivos de exclusão de propostas, que andavam espalhados pelo Código. Cria um regime de arbitragem inteiramente voluntário e prevê comissões técnicas de conciliação para litígios contratuais. E dá às entidades adjudicantes margem para adaptar a tramitação dos concursos abaixo dos limiares europeus, quando isso sirva a simplificação ou a celeridade.

Há ainda um fundamento novo para não adjudicar: a inexistência de propostas satisfatórias. Na prática, uma entidade que não goste do que recebeu pode fechar o procedimento sem escolher ninguém.

Onde está o risco

Menos concursos abertos significa menos empresas a saber que há dinheiro público em cima da mesa, e é aí que os juristas têm colocado os alertas desde a versão de abril. Um contrato de 149 mil euros entregue diretamente não é ilegal, mas também não é comparável com nada.

Vale a pena lembrar que a fiscalização não desapareceu. O Tribunal de Contas mantém o visto prévio acima dos seus próprios limites e a Procuradoria Europeia continua a investigar contratação pública em Portugal, como se viu no caso das obras adjudicadas pela Polícia Judiciária a uma empresa de Barcelos. O que muda é a quantidade de contratos que passam a nascer sem concorrência à vista.

Por Tomás Vasconcelos

Gráfico: Tugadaily, com dados do Decreto-Lei n.º 177/2026

Fachada de uma farmácia em Lisboa, com azulejos tradicionais e a palavra Farmácia nas montras
Política 27 de setembro de 2026

Faltam 20 dias para a farmácia aplicar a nova regra do medicamento grátis

O decreto que muda a forma de calcular a gratuitidade dos medicamentos para os idosos do complemento solidário entra em vigor a 17 de outubro, e traz uma garantia para quem a farmácia não avisar da alternativa mais barata.

O relógio começou a contar a 18 de agosto. O decreto-lei n.º 169/2026 diz no seu último artigo que entra em vigor 60 dias depois de publicado, o que aterra a 17 de outubro. A partir dessa data, é essa a régua que a farmácia passa a usar ao balcão. Faltam 20 dias. A mudança em si já a explicámos: quem recebe o complemento solidário para idosos continua a levar os medicamentos sem pagar nada, mas o Estado deixa de cobrir 100% do preço da embalagem escolhida…

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Luís Montenegro caminha ao lado do primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba, junto às bandeiras de Portugal e do Japão, numa receção oficial em Tóquio
Política 25 de setembro de 2026

Montenegro pede o fim do "masoquismo coletivo" da energia, na ONU

No discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o primeiro-ministro criticou o mecanismo de formação do preço do petróleo, defendeu a solução de dois Estados no Médio Oriente e reafirmou o apoio de Portugal à Ucrânia.

Luís Montenegro subiu ao pódio da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, e escolheu começar por algo que toca a carteira de qualquer português: o preço dos combustíveis. Chamou-lhe uma "crise sem sentido" e pediu para acabar com "este masoquismo coletivo", numa referência direta ao mecanismo que fixa o preço do petróleo a nível global, segundo o relato da ONU Portugal.

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Gráfico de barras Tugadaily com os diplomas da calamidade da tempestade Kristin publicados por mês em 2026: 1 em janeiro, 23 em fevereiro, 3 em março, abril, maio e junho, nenhum em julho e agosto, 1 em setembro
Política 22 de setembro de 2026

A resposta legal à tempestade Kristin já vai em 37 diplomas. O 37.º saiu esta terça-feira

Contámos a lista de legislação da calamidade que o próprio Governo mantém em gov.pt: 37 diplomas desde 30 de janeiro, 24 deles nas primeiras quatro semanas, nenhum em julho e agosto. O mais recente, publicado a 22 de setembro, mexe nas horas extraordinárias de quem respondeu à tempestade.

A tempestade Kristin passou por Portugal na última semana de janeiro. A situação de calamidade durou dezanove dias. A legislação continua a sair. Esta terça-feira foi publicado em Diário da República o Decreto-Lei n.º 191/2026, e quisemos saber que número é aquele na fila. Fomos contar. O Governo mantém em gov.pt um guia com toda a legislação da situação de calamidade, atualizado à medida que os diplomas saem; somámos as entradas dessa lista, uma a uma,…

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Gráfico de barras com a componente fixa do suplemento de risco da PSP e da GNR: 100 euros em 2023, 300 em 2024, 350 em 2025 e 400 em 2026
Política 19 de setembro de 2026

O suplemento de risco passou de 100 para 400 euros. O das fronteiras vale 160

O Governo propôs a 17 de setembro um suplemento de 160 euros este ano, com retroativos a julho, e 230 em 2027, mas só para a UNEF da PSP e a UCCF da GNR. Seis dos sete sindicatos presentes aceitaram negociar. Dois continuam com protestos marcados, por causa do acordo de 2024.

Quando se lê que o Governo propôs mais 160 euros por mês aos polícias, convém ler a linha seguinte. O suplemento apresentado a 17 de setembro na mesa negocial não é para a PSP nem para a GNR inteiras. É para duas unidades: a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, da PSP, e a Unidade de Controlo Costeiro e das Fronteiras, da GNR. São 160 euros mensais em 2026, com retroativos a julho, e 230 euros em 2027. O Ministério da Administração Interna…

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Gráfico de barras com a descida das taxas de IRS por escalão: 0,3 pontos no primeiro, 0,5 do segundo ao quinto, 0,3 no sexto e zero do sétimo ao nono
Política 18 de setembro de 2026

O Governo aprovou a descida do IRS. Quem a tem de votar é o Parlamento

As taxas descem entre 0,3 e 0,5 pontos até ao sexto escalão, o alívio ronda os 400 milhões de euros e abrange mais de 2,9 milhões de agregados. O efeito prometido para o salário de novembro depende de uma proposta de lei que ainda não foi votada na Assembleia da República.

O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira uma proposta de lei que baixa as taxas do IRS do primeiro ao sexto escalão. A redução fica entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais, vale cerca de 400 milhões de euros e, de acordo com o comunicado do Executivo, abrange quase três milhões de agregados familiares. A palavra que decide o resto é proposta. As taxas do IRS não se mudam em Conselho de Ministros. Mudam-se por lei votada na Assembleia da República, e é…

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Linhas de muito alta tensão e postes da rede de transporte da REN ao fim da tarde, com o céu alaranjado
Política 17 de setembro de 2026

O Estado já tem 13,7% da REN. Agora discute-se quem escreve as regras da próxima compra

A Parpública comunicou à CMVM uma participação qualificada de 91.723.676 ações, concretizada a 7 de setembro depois do visto do Tribunal de Contas. O PS quer que a entrada do Estado no capital de empresas privadas passe a ter critérios definidos por lei.

A operação está fechada. A REN comunicou ao mercado que a Parpública detém uma participação qualificada de 91.723.676 ações ordinárias, representativas de 13,7% do capital, o que devolve o Estado ao capital da empresa doze anos depois de ter saído. A transmissão das ações e o pagamento do preço ocorreram a 7 de setembro. Quando escrevemos sobre este negócio em agosto, o que estava por resolver era processual: o contrato com a Pontegadea tinha sido…

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Gráfico de barras com os prazos máximos do decreto brasileiro da reciprocidade: Camex 60 dias, Gecex 60, consulta pública 30 e Conselho Estratégico 120
Política 16 de setembro de 2026

A resposta do Brasil às tarifas americanas pode levar 270 dias

O processo da Lei da Reciprocidade abriu a 13 de agosto. Somando os prazos máximos que o próprio decreto fixa para cada fase, Brasília pode ir até meados de maio de 2027 antes de decidir se retalia.

Passou um mês desde que o Brasil abriu o primeiro processo da sua vida ao abrigo da Lei da Reciprocidade, e não há contramedida nenhuma. Não é inércia. É o que o regulamento manda. Fomos ler o decreto e somar. O texto que regulamenta a lei é o Decreto 12.551, de 14 de julho de 2025, e é nos artigos 11.º, 13.º e 15.º que estão os prazos. São quatro fases com relógio próprio, e cada uma é mais lenta do que parece à primeira leitura.

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Gráfico de barras com três prazos em dias a partir de 15 de setembro: debate do PS 3, debate do Chega 9, IVA do Chega 108
Política 15 de setembro de 2026

Quem chega primeiro ao custo de vida? O PS marcou debate para sexta-feira, seis dias antes do Chega

O pedido de debate de urgência deu entrada na segunda-feira de manhã no gabinete do presidente da Assembleia da República. O Chega já tinha agendamento para 24 de setembro, com projetos de IVA que só produzem efeitos em janeiro de 2027.

A nova sessão legislativa abre esta quarta-feira e o primeiro combate já está marcado. O PS pediu na segunda-feira de manhã o agendamento de um debate de urgência sobre o aumento do custo de vida, a realizar já na sexta-feira, e com isso passou à frente do Chega, que tinha a discussão do tema marcada para 24 de setembro. São seis dias de diferença. Numa legislatura em que a oposição disputa quem parece mais impaciente, seis dias valem alguma coisa.…

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Gráfico de barras Tugadaily: dos 507 ministros portugueses desde 1976, 43,4% com experiência forte na pasta, 34% com alguma e 22% sem nenhuma relevante
Política 14 de setembro de 2026

Dos 507 ministros desde 1976, 113 chegaram ao Governo sem experiência na pasta

Um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos percorre meio século de governos. A conclusão que interessa não é a falta de currículo: é que os ministros ficaram mais especializados sem que os partidos largassem o controlo.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos divulgou esta segunda-feira o estudo "Quem Governa Portugal? Perfis ministeriais em perspetiva comparada (1976-2025)", coordenado por Marcelo Camerlo e António Costa Pinto, que percorre os 507 ministros nomeados em meio século de democracia e compara Portugal com Espanha, Itália e Grécia. O número que saltou logo para os títulos foi este: 113 ministros, 22% do total, assumiram uma pasta sem qualquer experiência…

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Magdalena Andersson, líder dos sociais-democratas suecos, a falar a jornalistas
Política 14 de setembro de 2026

Os sociais-democratas ganharam as legislativas na Suécia. A contagem final só termina esta semana

O partido de Magdalena Andersson foi o mais votado, com 28,4%, e as projeções da noite eleitoral dão maioria ao bloco de esquerda. Os votos definitivos, esses, só ficam fechados daqui a uns dias.

Os suecos foram às urnas no domingo e o partido que dominou a política sueca durante décadas voltou a ser o mais votado. Os sociais-democratas de Magdalena Andersson ficaram com 28,4% dos votos, à frente de toda a gente, e as projeções da noite eleitoral dão ao conjunto dos partidos de esquerda uma maioria no Riksdag — 183 dos 349 lugares, contra 51,3% dos votos para a esquerda e 46,8% para a direita. Só que "as projeções da noite eleitoral" é mesmo a…

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André Ventura, de fato escuro e gravata verde, junto a apoiantes que seguram caixas com assinaturas à porta do Tribunal Constitucional, rodeados de câmaras
Política 13 de setembro de 2026

O Chega vai eleger de novo todos os órgãos nacionais depois de o Constitucional travar a última eleição

A direção nacional propôs um congresso ordinário para 20, 21 e 22 de novembro, com cerca de mil delegados a eleger nos distritos. Serve para escolher os órgãos e para responder às questões estatutárias levantadas pelo Tribunal Constitucional.

O Chega vai voltar a eleger tudo. A direção nacional do partido propôs um congresso ordinário para 20, 21 e 22 de novembro, e a ordem de trabalhos tem dois pontos que na prática são um só: escolher de novo os órgãos nacionais e arrumar as questões orgânicas e estatutárias que o Tribunal Constitucional deixou em aberto. O anúncio foi feito por André Ventura, presidente do partido, numa conferência de imprensa na sede nacional, em Lisboa. A indicação segue…

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Dirigentes da Associação dos Profissionais da Guarda sentados à volta de uma mesa na sede nacional, com o emblema da APG/GNR na parede
Política 12 de setembro de 2026

A GNR vai protestar ao lado da PSP a partir do final de setembro

O acordo de 2024 rendeu mais de 300 euros no suplemento por serviço e risco. A revisão do regime remuneratório, das carreiras e da avaliação continua por fazer, e a associação dos profissionais da Guarda anuncia protestos até meados de outubro.

O Secretariado da Direcção Nacional da Associação dos Profissionais da Guarda reuniu-se na sexta-feira, na sede nacional em Lisboa, e saiu com uma decisão tomada. A GNR vai protestar. As acções começam no final deste mês, prolongam-se até meados de outubro e terminam naquilo a que a associação chama uma grande acção de protesto nacional. A conta que a APG/GNR faz tem dois anos. Em 2024 assinou-se um acordo com a tutela que subiu o suplemento por serviço e…

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Grupo escultórico de Teixeira Lopes sobre a tribuna da Sala das Sessões do Palácio de São Bento, com o escudo nacional ao centro e as palavras LEX e IVS nos capitéis
Política 11 de setembro de 2026

Seis dias de plenário até ao fim de setembro, e o Orçamento entregue até 12 de outubro

A conferência de líderes fechou o calendário da rentrée: exames nacionais, jogo online, arranque do ano letivo, INEM e arrendamento urbano. O debate quinzenal com o primeiro-ministro fica para 9 de outubro.

A nova sessão legislativa abre na próxima quarta-feira e já tem seis dias de plenário marcados até ao fim de setembro. No fim da fila está a data que interessa a toda a gente: a proposta de Orçamento do Estado para 2027 tem de estar entregue na Assembleia da República até 12 de outubro. A lei de enquadramento orçamental marca o prazo em 10 de outubro. Este ano esse dia calha a um sábado, e por isso escorrega para a segunda-feira seguinte.

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Posto de abastecimento em Vale da Azinheira, Albufeira; os combustíveis introduzidos no consumo passam a estar abrangidos pelo CELE 2
Política 10 de setembro de 2026

Saiu a lei do CELE 2, o mercado de carbono que vai apanhar o combustível do carro e o gás da caldeira

O Decreto-Lei n.º 182/2026 cria em Portugal o CELE 2, o mercado de carbono para os combustíveis queimados nos edifícios e no transporte rodoviário. Quem compra as licenças são os fornecedores, não os condutores, não há licenças gratuitas e o sistema só fica em pleno funcionamento em 2028.

Saiu esta quinta-feira em Diário da República o diploma que traz a Portugal a segunda versão do mercado europeu de carbono. O Decreto-Lei n.º 182/2026 transpõe em parte a diretiva europeia de 2023 que criou o CELE 2 e aplica-o a um universo que até agora ficava praticamente de fora do sistema: os combustíveis queimados nos edifícios, no transporte rodoviário e num punhado de outros setores.

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