A sua renda pode subir 2,56% em 2027. Numa renda de 1.000 euros são mais 25,60 por mês
O INE fechou a conta a 31 de agosto: a inflação sem habitação ficou nos 2,56%, e é esse o valor que os senhorios podem aplicar a partir de 1 de janeiro. Este ano tinham sido 2,24%.
Já há número. A inflação que serve de base à atualização das rendas fixou-se nos 2,56%, segundo a estimativa rápida do INE divulgada a 31 de agosto. É esse o teto que os senhorios podem aplicar aos contratos a partir de 1 de janeiro de 2027, e fica acima dos 2,24% deste ano.
Traduzido para dinheiro: uma renda de 1.000 euros passa a 1.025,60. Numa de 800 euros, o aumento anda pelos 20,48 euros mensais. Não é um choque. É mais do que no ano passado.
Porque é que o número não é 3,3%
A inflação geral de agosto acelerou para 3,3%, empurrada quase toda pelos combustíveis — o índice dos produtos energéticos subiu 12,2%, contra 8,7% no mês anterior. Mas não é essa a conta que a lei manda fazer.
O coeficiente das rendas sai da variação média dos últimos doze meses do índice de preços no consumidor sem a componente da habitação, medida a 31 de agosto. São dois indicadores diferentes com o mesmo nome de família, e é o segundo que lhe chega ao contrato.
Quando é que fica oficial
A estimativa rápida ainda não é a palavra final. O valor definitivo do IPC de agosto é publicado pelo INE a 10 de setembro, e o coeficiente propriamente dito sai em Diário da República até 30 de outubro. Até lá, 2,56% é a melhor conta disponível, e a margem para mexer é mínima.
Também não é automático. O senhorio tem de comunicar a intenção de atualizar por escrito e com a antecedência prevista na lei — e a atualização acompanha a data de aniversário do contrato, não o dia 1 de janeiro. Contratos com regras próprias, como os de renda apoiada ou os que já têm cláusulas de atualização negociadas, seguem o que estiver escrito.
O que isto diz sobre o mercado
Um aumento de 2,56% em contratos antigos convive mal com o que se passa nos contratos novos, onde os valores pedidos continuam noutro campeonato. É a fratura habitual do arrendamento português: quem já está dentro sobe devagar, quem procura agora entra pelo preço de mercado. Escrevemos há pouco sobre as rendas que arrefeceram em junho, e o contraste mantém-se com o fim do travão às rendas nos novos contratos.
Os índices de preços que servem de base a esta conta são publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, e é aí que o valor definitivo vai aparecer primeiro, a 10 de setembro.
Para já, o conselho prático é chato e útil: se tem contrato de arrendamento, veja em que mês faz anos. É nesse mês, e não em janeiro, que o aumento lhe bate à porta.
Imagem: Philip Mallis / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)