A população estrangeira em Portugal cresceu 2,7% em 2025. Em 2022 tinha crescido 39%
O Relatório de Migrações e Asilo fecha 2025 com 1.585.854 residentes estrangeiros e 42.157 novos títulos no ano, contra 238.864 em 2024. É o ritmo mais baixo desde que a série da AIMA começa, em 2017 — e a composição também mudou, com Angola a passar a Índia.
Há uma forma de ler o relatório anual da AIMA que não passa pelo total, e é muito mais reveladora. Basta pôr quatro anos lado a lado.
Em 2022, a população estrangeira residente em Portugal cresceu 39%. Em 2023, 31,4%. Em 2024, 18,3%. Em 2025, 2,7%. É o crescimento anual mais baixo de toda a série que a AIMA apresenta, que arranca em 2017.
No final do ano passado havia 1.585.854 cidadãos estrangeiros com residência legal no país. Ao longo de 2025 foram ganhos 42.157 residentes, contra 238.864 no ano anterior. A agência descreve isto como estabilização das novas entradas e consolidação de uma comunidade já estruturalmente integrada na vida económica e social do país.
Uma nota que vale a pena reter
Os números não medem diretamente quantas pessoas entraram em Portugal. Medem títulos de residência em vigor, o que é coisa diferente: quem sai, quem perde o título ou quem se naturaliza também mexe no total, e a AIMA continua a fazer o trabalho de correção e validação estatística que iniciou em 2024. Por isso o mesmo relatório aparece citado com duas variações — o secretário de Estado das Migrações falou num aumento de 38 mil entre 2024 e 2025, alinhado com as estimativas do INE, enquanto a série do próprio relatório dá 42.157. As duas leituras contam a mesma história e convém saber qual se está a citar.
Quem está cá
Os brasileiros continuam a ser, de longe, o maior grupo: 493.622 pessoas, quase um terço de todos os estrangeiros residentes, e cerca de dez mil mais do que no ano anterior.
Atrás deles há uma troca que passou despercebida. Angola surge agora em segundo lugar, com 99.050 residentes, à frente da Índia, com 91.405. A comunidade indiana, que vinha a crescer depressa, encolheu e perdeu a posição. Seguem-se Ucrânia (84.889), Cabo Verde (71.005), Bangladesh (55.579), Nepal (53.304) e Guiné-Bissau (51.935). O Reino Unido, com 47.726, é a maior comunidade europeia não lusófona.
Durante o ano, a AIMA emitiu mais de meio milhão de títulos: 337.880 concessões e 189.331 renovações, com 671.273 agendamentos e 605.890 atendimentos. Quem precisa de acompanhar prazos, renovações e biometria encontra o histórico no nosso acompanhamento contínuo da AIMA.
A travagem já está a aparecer fora das estatísticas migratórias. No mesmo dia, a UBS colocou Lisboa no seu índice de risco de bolha imobiliária e apontou a política de imigração mais seletiva como uma das razões pelas quais o motor da cidade está a perder força. O relatório completo está na página de relatórios da AIMA.
Por Juliana Castilho
Gráfico: Tugadaily · Dados: AIMA