Esta é a estreia de Lisboa no índice de bolha da UBS (e entra já no segundo degrau mais alto)
O banco suíço acrescentou Lisboa e Seul à amostra este ano e as duas cidades foram logo as que mais subiram no risco. Lisboa fica no escalão elevado, com Miami, o Dubai, Seul e Genebra, depois de uma década a valorizar quase 7% ao ano em termos reais.
Ser incluído num índice de bolha imobiliária não é o tipo de estreia que uma cidade celebre. Lisboa acaba de fazer a sua.
O UBS publica todos os anos o Global Real Estate Bubble Index, que este ano vai na décima segunda edição e passou a cobrir 23 cidades. As duas caras novas são Lisboa e Seul, e foram exatamente essas duas que registaram a maior subida de risco de todo o levantamento. Lisboa entrou diretamente no escalão de risco elevado, ao lado de Miami, do Dubai, de Seul e de Genebra. Acima só ficam Zurique e Tóquio, classificadas como risco alto. Paris, Londres, Nova Iorque, São Francisco e São Paulo estão no fundo da tabela, em risco baixo.
O número que explica a posição
Na última década, os preços reais da habitação em Lisboa subiram quase 7% ao ano. É o ritmo mais rápido das 23 cidades analisadas, e não por pouco. Só desde meados de 2025 acrescentaram mais 10%, um valor que este ano só Seul, Madrid e Hong Kong igualaram. O banco é direto sobre a origem disto: as políticas criadas para atrair capital e residentes estrangeiros alimentaram o boom lisboeta.
Um índice de bolha não é uma previsão de queda. O UBS mede o afastamento entre preços, rendimentos e rendas, mais o crédito e a construção, e assinala mercados vulneráveis a uma correção sem dizer quando.
O motor está a perder força
A parte mais interessante do capítulo sobre Lisboa é a que descreve o presente. Lisboa tornou-se um dos mercados menos acessíveis da Europa e, ao mesmo tempo, vários dos fatores que sustentaram a subida estão a enfraquecer ao mesmo tempo. A viragem para uma política de imigração mais seletiva contribuiu para crescimento populacional negativo na cidade, as rendas deixaram de acompanhar e a procura está a deslocar-se para zonas mais baratas em redor.
Esse primeiro ponto ganhou confirmação no mesmo dia. O relatório anual da AIMA mostra que o número de estrangeiros residentes cresceu 2,7% em 2025, o ritmo mais baixo de toda a série da agência, contra 18,3% no ano anterior. E o lado das rendas também já tinha aparecido nos nossos números: mesmo depois de a câmara ter cancelado 40% do alojamento local da cidade, a renda mediana dos novos contratos continuou a subir.
Vale a pena reter o contexto global, porque não é o mesmo em todo o lado. No conjunto das cidades, preços, rendas e rendimentos ficaram praticamente na mesma em termos reais no último ano. Vancouver e Toronto caíram cerca de 10%. Lisboa subiu 10%. Os números portugueses, trimestre a trimestre, vão ficando no nosso acompanhamento dos preços das casas. A metodologia e os escalões de risco estão publicados pelo UBS.
Imagem: Philip Mallis / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)