Portugal notificou 23.133 estrangeiros para saírem do país em 2025. Um ano antes, tinham sido 446
O Relatório de Migrações e Asilo da AIMA mostra as notificações de saída voluntária a multiplicar-se por 52 num só ano, no mesmo relatório em que o crescimento da população estrangeira cai para 2,7%.
Em 2024, a AIMA e as forças de segurança emitiram 446 notificações para abandono voluntário de Portugal. Em 2025, esse número saltou para 23.133 — mais de 50 vezes mais, segundo o Relatório de Migrações e Asilo 2025 da AIMA, que reúne pela primeira vez todos os números do ano.
O salto surge no mesmo relatório que já tínhamos usado para mostrar que a população estrangeira residente cresceu apenas 2,7% em 2025, depois de ter crescido 39% em 2022. São dois números do mesmo ano a apontar no mesmo sentido: menos gente a chegar, e muito mais gente formalmente mandada sair.
O que é, na prática, uma notificação de saída
Uma notificação para abandono voluntário não é uma expulsão. É o primeiro passo administrativo dado a quem está em situação irregular, dando-lhe um prazo para sair por iniciativa própria antes de qualquer processo mais pesado. A própria AIMA descreve o salto como uma “rutura com a tendência de queda observada em anos anteriores”, atribuída à regularização de processos pendentes e ao reforço da capacidade administrativa e policial ao longo do ano.
Os processos de afastamento coercivo, a expulsão propriamente dita, também subiram, de 195 para 298. Mas este número não serve para comparar com o das notificações: os dados da AIMA só vão até 21 de agosto de 2025, quando essa competência passou para a nova Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras da PSP. O que aconteceu no resto do ano não está neste relatório.
Mais processos fechados, nos dois sentidos
O mesmo relatório regista 337.880 títulos de residência concedidos em 2025, mais 54,8% e um máximo da série, que a própria AIMA atribui à recuperação de processos pendentes. Concessões e notificações de saída sobem ao mesmo tempo, e pela mesma razão que a agência invoca: pedidos que estavam parados foram finalmente decididos, num sentido ou no outro.
Falta agora saber quantas destas 23.133 pessoas saíram mesmo do país, e quantas continuam em Portugal com um prazo já expirado. Esse número, a AIMA ainda não o publicou.
Por Juliana Castilho
Infografia: Tugadaily · dados AIMA