O Metro do Porto vai chegar à Trofa (mas a partir do Muro é de autocarro)
O Governo aprovou 421 milhões para as linhas de Gondomar e da Trofa. Na da Trofa, só duas das nove estações são de metro: as outras sete são servidas por metrobus, com transbordo no Muro.
O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira 421 milhões de euros para duas novas linhas do Metro do Porto, uma para Gondomar e outra para a Trofa. O comunicado do Governo não faz a distinção. Na linha da Trofa, porém, o metro só chega à segunda estação: a partir do Muro, a viagem segue de autocarro elétrico.
Duas linhas, dois sistemas
A linha de Gondomar é a mais convencional. São cerca de sete quilómetros e nove estações entre o Estádio do Dragão e o Souto, no centro de Gondomar, com um investimento até 237 milhões de euros. Carris do princípio ao fim.
A da Trofa custa até 184 milhões, tem cerca de dez quilómetros e também nove estações, entre o ISMAI, na Maia, e o interface da Trofa. Só que apenas Ribela é uma estação de metro. O Muro fica partilhado entre os dois sistemas e as outras sete, de Serra ao Interface Trofa, são servidas por metrobus, autocarros elétricos em via dedicada, que aproveitam na maior parte do percurso o antigo canal ferroviário da linha de Guimarães. Quem vier da Trofa para o Porto terá de mudar de veículo no Muro.
A solução não é inédita. O Sistema de Mobilidade do Mondego, em Coimbra, já usa metrobus sobre o antigo ramal da Lousã, e o mesmo Conselho de Ministros reforçou-o com até 66,3 milhões de euros para a manutenção durante 15 anos e para passar de 35 para 40 veículos.
Ainda dá para opinar
O estudo de impacto ambiental da linha da Trofa está em consulta pública até 12 de outubro no portal Participa, com duas alternativas de traçado que só diferem entre as estações de Serra e Lantemil. As duas linhas devem ser construídas entre 2027 e 2031, pagas em grande parte pelo Fundo Ambiental e pelo programa Sustentável 2030.
O investimento chega num ano pouco simpático para o metro em geral: os metropolitanos do país foram o único transporte a perder passageiros entre abril e junho, menos 1% num ano em que o comboio subiu mais de 6%. Não é contraditório apostar em novas linhas, mas é um lembrete de que a obra só conta quando as pessoas a usam.
Por Marta Carneiro
Imagem: Patrycja Rosa (ptrcnull) / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)