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Frente de um Cartão de Cidadão português com os dados pessoais tapados
Imigração 7 de agosto de 2026

Ainda dá para pedir a nacionalidade portuguesa por bisavô? Dá, e a lei de 2026 explica como

A reforma da nacionalidade abriu formalmente a via da ascendência aos bisnetos de portugueses originários, desde que provem ligação efetiva ao país. Ao mesmo tempo revogou o regime sefardita e acabou com o automatismo para filhos de estrangeiros nascidos em Portugal.

A resposta curta é sim, e é uma das poucas boas notícias de um pacote legislativo que, no resto, apertou quase tudo.

A reforma da nacionalidade de 2026 incluiu formalmente os bisnetos de cidadãos portugueses originários na via da atribuição por ascendência. Até aqui, a terceira geração vivia numa zona cinzenta de interpretações e recursos; passa a estar prevista. A contrapartida é séria: é preciso comprovar ligação efetiva a Portugal, e essa prova não se faz apenas com certidões.

O que conta como ligação efetiva

A lei não aceita a genealogia sozinha. Conta o conhecimento da língua portuguesa, e conta o vínculo real ao país: residência, propriedade, laços familiares ativos, participação em comunidades portuguesas, visitas regulares e documentadas. Cada processo é apreciado individualmente, e a análise em 2026 é reconhecidamente mais exigente do que era há três anos — até porque o regulamento que fixa provas e formulários tinha prazo até 16 de agosto.

Na prática, isto significa que um processo de bisneto se prepara com meses de antecedência. Certidões de nascimento e casamento em linha ininterrupta, tradução e legalização quando emitidas fora de Portugal, comprovativo de língua e um dossiê de ligação que faça sentido lido por um estranho.

O que fechou ao mesmo tempo

Duas portas, e ambas eram muito usadas.

O regime especial para descendentes de judeus sefarditas portugueses, criado em 2015, foi revogado. Quem não tinha processo entregue já não entra por aí.

E a atribuição de nacionalidade a filhos de estrangeiros nascidos em Portugal deixou de ser automática: passa a exigir que pelo menos um dos progenitores resida legalmente no país há cinco anos. Esta é a alteração que mais famílias vai apanhar de surpresa, porque contraria aquilo que muita gente assumia como garantido ao ter um filho em Portugal.

E do lado da residência

O quadro mudou também fora da nacionalidade. Foi criada a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, a UNEF, sob a alçada da PSP, com operação plena em 2026 — é um braço de execução, e não transforma a AIMA num corpo policial, que continua com o papel administrativo.

Há também flexibilizações concretas. O titular de autorização de residência para trabalho subordinado pode mudar de empregador mediante comunicação à AIMA, e quem tem autorização para atividade independente pode alterar a natureza da atividade. São mudanças pequenas no texto e grandes na vida de quem cá está.

Perguntas rápidas

Os netos continuam a poder pedir?

Sim. A via da ascendência para filhos e netos manteve-se; o que a reforma fez foi acrescentar formalmente a geração seguinte, com o requisito de ligação efetiva.

O exame de língua é obrigatório para bisnetos?

A comprovação de conhecimento de português faz parte da avaliação da ligação efetiva. Prepare-a como requisito, não como bónus.

Quanto tempo demora?

Depende do volume de processos no momento da entrega. Acompanhe os prazos e o estado do backlog no nosso acompanhamento da AIMA, e confirme sempre a lista de documentos antes de submeter, porque um pedido incompleto nem chega a entrar.

As alterações ao decreto regulamentar da lei de estrangeiros estão publicadas no site da AIMA.

Por Juliana Castilho

Imagem: Wikimedia Commons (domínio público)

Loja do Cidadão, onde funcionam balcões de atendimento da AIMA
Imigração 28 de setembro de 2026

AIMA em acompanhamento: prazos, backlog e novidades

Acompanhamento contínuo da AIMA — backlog de processos, prazos de renovação, biometria, golden visa e mudanças de serviço. Atualizado a cada novidade.

Se está a tratar de residência ou nacionalidade, esta é a página para guardar nos favoritos. Em vez de um artigo por cada anúncio, reunimos aqui o essencial da AIMA: backlog de processos, prazos de renovação, biometria, golden visa e mudanças de serviço. Para as regras da cidadania, veja a nova lei da nacionalidade. A informação oficial está na AIMA. Os cidadãos da União Europeia e os seus familiares já podem criar conta no Portal de Renovações da AIMA e…

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Gráfico Tugadaily: notificações para saída voluntária de estrangeiros, 446 em 2024 contra 23.133 em 2025
Imigração 25 de setembro de 2026

Portugal notificou 23.133 estrangeiros para saírem do país em 2025. Um ano antes, tinham sido 446

O Relatório de Migrações e Asilo da AIMA mostra as notificações de saída voluntária a multiplicar-se por 52 num só ano, no mesmo relatório em que o crescimento da população estrangeira cai para 2,7%.

Em 2024, a AIMA e as forças de segurança emitiram 446 notificações para abandono voluntário de Portugal. Em 2025, esse número saltou para 23.133 — mais de 50 vezes mais, segundo o Relatório de Migrações e Asilo 2025 da AIMA, que reúne pela primeira vez todos os números do ano. O salto surge no mesmo relatório que já tínhamos usado para mostrar que a população estrangeira residente cresceu apenas 2,7% em 2025, depois de ter crescido 39% em 2022. São dois…

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Fachada do Palácio de São Bento, sede da Assembleia da República, em Lisboa
Imigração 23 de setembro de 2026

Pedro Portugal Gaspar sai da presidência da AIMA sem sucessor definido

Gaspar foi chamado ao Parlamento esta semana para um lugar na Autoridade da Concorrência. É o segundo presidente da AIMA a sair desde a extinção do SEF, em 2023, e o Governo ainda não disse quem o substitui.

Pedro Portugal Gaspar está de saída da presidência da Agência para a Integração, Migrações e Asilo. Tinha audição marcada para esta terça-feira, 22 de setembro, na Comissão de Economia e Coesão Territorial da Assembleia da República — o passo que precede a designação para um lugar no conselho de administração da Autoridade da Concorrência. Gaspar assumiu a AIMA em julho de 2024, sucedendo a Luís Goes Pinheiro, o primeiro presidente da agência que em…

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Gráfico de barras do crescimento anual da população estrangeira residente em Portugal: 39,0% em 2022, 31,4% em 2023, 18,3% em 2024 e 2,7% em 2025
Imigração 22 de setembro de 2026

A população estrangeira em Portugal cresceu 2,7% em 2025. Em 2022 tinha crescido 39%

O Relatório de Migrações e Asilo fecha 2025 com 1.585.854 residentes estrangeiros e 42.157 novos títulos no ano, contra 238.864 em 2024. É o ritmo mais baixo desde que a série da AIMA começa, em 2017 — e a composição também mudou, com Angola a passar a Índia.

Há uma forma de ler o relatório anual da AIMA que não passa pelo total, e é muito mais reveladora. Basta pôr quatro anos lado a lado. Em 2022, a população estrangeira residente em Portugal cresceu 39%. Em 2023, 31,4%. Em 2024, 18,3%. Em 2025, 2,7%. É o crescimento anual mais baixo de toda a série que a AIMA apresenta, que arranca em 2017. No final do ano passado havia 1.585.854 cidadãos estrangeiros com residência legal no país. Ao longo de 2025 foram…

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Gráfico de barras com os prazos da Lei n.º 62/2026 em dias: sair do país até 30, num prazo fixado entre 20 e 30, decidir o pedido 90, com prorrogação 120
Imigração 15 de setembro de 2026

A nova lei de estrangeiros entrou em vigor a 11 de setembro. O prazo para sair do país é agora de 20 a 30 dias

A Lei n.º 62/2026 foi publicada no Diário da República a 10 de setembro e começou a produzir efeitos no dia seguinte. Mexe nos prazos de afastamento, cria um procedimento de regresso na fronteira e fecha a via dos cursos profissionalizantes.

Enquanto o diploma esteve em Belém, e depois no Constitucional, nada mudava na prática. Mudou agora. A Lei n.º 62/2026 foi publicada no Diário da República a 10 de setembro e, porque o próprio texto manda entrar em vigor no dia seguinte à publicação, aplica-se desde sexta-feira, 11 de setembro. O percurso demorou quase dois meses: aprovação na Assembleia da República a 17 de julho, promulgação a 31 de agosto, referenda do primeiro-ministro a 1 de…

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Passageiros com bagagem junto a um autocarro nas plataformas do terminal rodoviário de Sete Rios, em Lisboa
Imigração 14 de setembro de 2026

Chega a Lisboa de autocarro ou de comboio? A PSP está a fazer controlo de fronteira nos terminais

A unidade de estrangeiros e fronteiras diz que aumentaram as chegadas irregulares por via rodoviária e ferroviária às áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, vindas de outras cidades europeias. Traduzido para quem viaja: leve o título de residência consigo.

A rota mudou, e é isso que a PSP veio dizer no domingo. O superintendente-chefe João Ribeiro, diretor nacional-adjunto e responsável pela Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, identificou como fator de risco os fluxos rodoviários e ferroviários que chegam às áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto vindos de outras cidades europeias — pessoas que estão em situação irregular noutro país do espaço Schengen e que vão mudando de país dentro dele.…

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Claustro do Colégio do Espírito Santo, na Universidade de Évora, com arcadas brancas e fonte central
Imigração 12 de setembro de 2026

Os estudantes estrangeiros de Évora já tratam da residência dentro da universidade

A Universidade de Évora e a AIMA abriram um gabinete CLAIM no Edifício de Santo Agostinho, com dois funcionários formados para instruir processos no sistema da agência. A biometria continua a ser feita em Lisboa.

Quem estuda em Évora com passaporte de fora da União Europeia deixou de ter de resolver o primeiro passo do processo de residência a 130 quilómetros de distância. A Universidade de Évora e a AIMA abriram na quarta-feira um gabinete do Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes, o CLAIM, no Edifício de Santo Agostinho, e entrou em funcionamento no mesmo dia. Funciona com dois funcionários da própria universidade, formados pela AIMA para trabalhar…

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Gráfico de barras com os prazos em meses da Lei n.º 47/2026: seis meses de autorização provisória, seis meses para decidir, nove em casos complexos e 24 meses de residência se o estatuto for reconhecido
Imigração 6 de setembro de 2026

Não é cidadão de nenhum país? Desde 1 de setembro há um processo, e não custa nada

A Lei n.º 47/2026 entrou em vigor a 1 de setembro e entrega à AIMA o reconhecimento do estatuto de apátrida. Quem abre o processo recebe de imediato uma autorização de residência provisória de seis meses e pode trabalhar.

Portugal já reconhecia o estatuto de apátrida desde 2023. O que não tinha era um caminho para lá chegar: nenhuma entidade formalmente responsável, nenhum prazo, nenhum documento a entregar a quem estivesse à espera. Isso mudou a 1 de setembro, quando entrou em vigor a Lei n.º 47/2026, de 17 de agosto, que regula o procedimento em sete páginas. Lemos as sete. Apátrida, para efeitos da lei, é quem nenhum Estado considera seu nacional. O pedido faz-se na…

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Vista aérea da marina de Lagos, no Algarve, com barcos atracados e a cidade em redor
Imigração 4 de setembro de 2026

O Algarve é o segundo melhor sítio do mundo para viver a reforma (e já não é pelo preço)

O índice anual da Live and Invest Overseas coloca o Algarve atrás apenas de Boquete, no Panamá, e à frente de Creta, Puerto Vallarta e Tarragona. Aponta um custo de cerca de 3.085 dólares por mês para um casal.

Há uma lista americana que sai todos os anos e que, sem grande alarido, move gente de um continente para outro. É o Overseas Retirement Index, da Live and Invest Overseas, e na edição de 2026 o Algarve ficou em segundo lugar entre os melhores sítios do mundo para viver a reforma. À frente ficou apenas Boquete, uma vila nas terras altas do Panamá. O que o Algarve deixou para trás diz mais do que o lugar em si. A região ficou à frente de Puerto Vallarta, no…

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Fachada rosa do Palácio de Belém, em Lisboa, vista dos jardins fronteiros, com a bandeira nacional hasteada à esquerda
Imigração 3 de setembro de 2026

Seguro promulgou a lei do retorno a 31 de agosto, três dias depois do acórdão do Constitucional

O Presidente da República assinou o diploma que altera os regimes de acolhimento, de entrada e afastamento de estrangeiros e de concessão de asilo. Fê-lo depois de o Tribunal Constitucional não ter chumbado nenhuma norma e ter fixado critérios interpretativos para tribunais e autoridades administrativas.

A lei está assinada. António José Seguro promulgou a 31 de agosto o diploma que altera os regimes de acolhimento de estrangeiros ou apátridas em centros de instalação temporária, de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional, e de concessão de asilo. Foram três dias entre o acórdão do Tribunal Constitucional e a caneta.

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O Palácio Ratton, em Lisboa, sede do Tribunal Constitucional, visto de baixo, com a bandeira nacional hasteada e um cravo vermelho desfocado em primeiro plano
Imigração 30 de agosto de 2026

Lei do retorno passou no Constitucional sem uma única norma chumbada

Os sete juízes que assinaram o acórdão foram unânimes: nenhuma das onze normas é inconstitucional. O Presidente tinha levantado as dúvidas a 7 de agosto, e caíram todas.

O Tribunal Constitucional decidiu na sexta-feira que a chamada lei do retorno não tem nada de inconstitucional. Nem uma norma, das onze que lhe foram postas à frente. Os sete juízes que assinaram o acórdão 736/2026 foram unânimes. É uma conclusão rápida de dizer e lenta de ler: o acórdão passa das 160 páginas, segundo o presidente do tribunal, João Carlos Loureiro. António José Seguro enviou o diploma para fiscalização preventiva a 7 de agosto, três…

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Gráfico de barras com o primeiro ano de fiscalização da UNEF: 52 421 estrangeiros fiscalizados, 1 117 irregulares, 831 notificados e 285 detidos
Imigração 27 de agosto de 2026

A UNEF fiscalizou 52 421 estrangeiros no primeiro ano e encontrou 1 117 irregulares

A PSP fechou as contas à nova unidade de estrangeiros e fronteiras. Foram 5 397 ações entre 21 de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, 831 notificações para sair do país e 285 detenções — e uma taxa de irregularidade de 2,1%.

A PSP fez as contas ao primeiro ano da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras. O número que salta à vista não é o das detenções — é a proporção. Entre 21 de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, os Núcleos de Estrangeiros e Controlo Fronteiriço realizaram 5 397 ações de fiscalização, nas quais foram fiscalizados 52 421 cidadãos estrangeiros. Destes, 1 117 estavam em situação irregular. São 2,1%. Das mesmas ações resultaram 831 notificações para…

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Edifício da Loja do Cidadão de Santiago do Cacém, com a sinalética à entrada
Imigração 26 de agosto de 2026

Não está no contrato de arrendamento? A AIMA aceita, mas exige-lhe duas coisas no dia do atendimento

Quem arrenda um quarto ou vive em casa emprestada raramente aparece no contrato, e a AIMA tem um caminho para esses casos. Passa por uma declaração sob compromisso de honra com o número da descrição predial e o NIF do proprietário, e por uma certidão de domicílio fiscal emitida há menos de 30 dias.

Há um detalhe que apanha muita gente de surpresa no atendimento da AIMA, e não é a fila. É a prova de alojamento. Quem comprou casa resolve o assunto num minuto. Quem arrenda um quarto numa casa partilhada, vive em casa de um familiar ou tem um contrato feito em nome de outra pessoa, esse tem um problema real: o documento que a AIMA quer ver tem o nome de outra pessoa em cima. A boa notícia é que existe um caminho previsto para exatamente essa situação. A…

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Balcões de atendimento de um Espaço do Cidadão em Portugal, com funcionários a atender e pessoas sentadas à espera da sua vez
Imigração 25 de agosto de 2026

Vai pedir reagrupamento familiar para um filho menor? Ele tem de estar em Portugal no dia do pedido

Há um critério na plataforma de Reagrupamento Familiar de Menores da AIMA que apanha muita gente de surpresa: a criança tem de estar comprovadamente em território nacional na data em que o requerimento é apresentado. Se ainda estiver no estrangeiro, o portal não aceita e o pedido faz-se presencialmente.

Se está em Portugal e quer trazer um filho menor por reagrupamento familiar, há uma condição pouco conhecida que dá cabo do planeamento a muita gente: a criança tem de estar comprovadamente em território nacional na data em que o requerimento é apresentado na plataforma de Reagrupamento Familiar de Menores. Está escrito na nota informativa da própria AIMA sobre reagrupamento familiar e repetido na lista de plataformas de agendamento do Ministério dos…

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