Os super-ricos já têm quase quatro casas cada. Portugal está bem colocado para ser uma delas
O Residence Report 2026/27 da Knight Frank conta 3,8 casas por ultra-rico, contra 2,9 há menos de uma década, e coloca Lisboa, o Algarve e a Comporta entre os destinos bem posicionados para esse dinheiro.
Há menos de uma década, um ultra-rico tinha em média 2,9 casas. Hoje tem 3,8. É esse o número que abre o Residence Report 2026/27, da Knight Frank em associação com a Quintela + Penalva, e ele diz muito sobre para onde está a ir o dinheiro de topo: não para uma casa maior, mas para mais casas, espalhadas por mais sítios.
Portugal aparece bem posicionado nesse mapa. O relatório vê em Lisboa, no Algarve e na Comporta uma vantagem competitiva num momento em que estes compradores estão a espalhar o património por mais países. E a razão não é só o clima: segundo o estudo, as famílias com grandes fortunas montam várias bases para aceder a oportunidades, redes e talento. Cada casa nova é uma porta de entrada.
Ainda mais barato que Londres ou Paris
Parte do apelo de Lisboa é o preço. Mesmo com a valorização dos últimos anos, os valores de referência do luxo na capital continuam abaixo de Londres, Nova Iorque, Paris, Miami ou Milão, e a consultora já tinha feito esse retrato em abril, no Lisbon Residential Market Insight 2026. O relatório aponta também um público concreto: famílias norte-americanas à procura de proteção patrimonial e de distância face aos riscos geopolíticos, para quem Portugal (e Espanha) funciona como uma base internacional, não como substituto da casa principal.
O relatório nota ainda uma mudança de gosto. O investimento de luxo está a sair das cidades para a costa, as ilhas e os resorts, e à medida que os serviços se tornam banais o valor passa para o que é difícil de copiar: o lugar, a proveniência, a experiência e a ligação humana. A Comporta, que há poucos anos era “emergente”, aparece agora descrita como um dos destinos de praia mais cobiçados da Europa. Portugal, com arquitetura e locais fora do comum, encaixa bem nesse critério.
O que isto significa para quem já vive cá
A parte que o relatório não escreve, mas que se lê nas entrelinhas, é esta: quanto mais a procura internacional de topo se instala em Lisboa, no Algarve e na Comporta, mais esses mercados ficam ligados a um preço de referência que não é o português. Os preços das casas em Portugal já sobem mais depressa do que os salários, e um comprador que acha Lisboa barata comparada com Londres não está a competir pelo mesmo orçamento que um casal português a comprar a primeira casa. A boa notícia para o país é que continua a atrair capital e visibilidade internacional. A pergunta em aberto é para quem sobra espaço quando a procura de topo aumenta e a oferta continua limitada.
Imagem: Vitor Oliveira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)