Os camiões saíram da VCI das 7h às 21h. A alternativa já não tem portagens
A restrição arrancou a 15 de setembro e apanha os veículos de mercadorias com mais de 3.500 quilos e três ou mais eixos. Quem carrega ou descarrega no Porto e em Gaia continua a poder passar, mas só com a matrícula registada.
Desde 15 de setembro, os veículos pesados de mercadorias deixaram de poder circular na Via de Cintura Interna entre as sete da manhã e as nove da noite, nos dias úteis. A medida não é um aviso nem um período experimental disfarçado. Nas primeiras 48 horas a PSP registou 27 infrações, 22 no primeiro dia e cinco no segundo, o que sugere que a mensagem passou depressa.
A restrição apanha os veículos de mercadorias com peso bruto superior a 3.500 quilos, três ou mais eixos e altura igual ou superior a 1,1 metros na vertical do primeiro eixo. Fica de fora quase tudo o resto. Uma carrinha de distribuição comum não é afetada, e nem todos os pesados são, porque o critério é cumulativo.
O que muda para quem conduz
Há uma exceção que interessa a muita gente: os veículos com origem ou destino no Porto ou em Vila Nova de Gaia, para operações de carga e descarga, podem continuar a usar a VCI durante o período condicionado. A exceção não é automática. As empresas têm de obter autorização prévia numa plataforma de gestão de circulação, onde registam matrícula, carga, origem e destino. Sem esse registo, o camião está em infração assim que entra.
Para os restantes, a alternativa é a Circular Regional Exterior do Porto, a A41, e aqui está a parte da conta que quase ninguém sublinhou. A CREP passou a estar isenta de portagens para estes veículos precisamente para viabilizar o desvio — o regime e a isenção estão publicados pela Infraestruturas de Portugal, que estima retirar mais de quatro mil pesados da VCI e cortar cerca de 60% do tráfego pesado na via.
Quanto custa o desvio
Sair da portagem não significa sair da fatura. A ANTRAM alertou para operações em que o desvio pela A41 acrescenta mais de 60 quilómetros, com o combustível e o tempo de viagem a subirem na mesma proporção — e o combustível já vinha a pesar, apesar de o Estado ter estado a devolver quase dez cêntimos por litro de gasóleo. A Associação Portuguesa de Logística reconhece custos adicionais para transportadoras e empresas. O setor contesta sobretudo a burocracia das exceções.
A própria Infraestruturas de Portugal descreve o regime como um projeto-piloto sujeito a monitorização contínua, o que significa que as regras podem ser ajustadas. O congestionamento da VCI, esse, não desaparece com esta medida. É um problema de atravessamento urbano que encaixa na mesma discussão de fundo que levou o Estado a estudar o regresso do comboio de passageiros a Sines: mover mercadorias e pessoas sem as empurrar todas para a mesma faixa de alcatrão.
Por Beatriz Mota
Imagem: chermida / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)