Portugal caiu para os níveis de 2006 no PISA. Em Leitura, é o pior resultado de sempre
Os alunos portugueses de 15 anos perderam 15 pontos em Leitura e 12 em Matemática desde 2022. O Governo diz que a queda não começou neste mandato.
Os resultados do PISA 2025 foram conhecidos esta terça-feira e não há forma simpática de os apresentar. Portugal obteve 460 pontos a Matemática, 462 a Leitura e 482 a Ciências, valores que a OCDE descreve como um regresso ao que se media no país por volta de 2006. As três disciplinas recuaram ao mesmo tempo.
A comparação mais dura é com 2022. Nesses três anos, os alunos portugueses de 15 anos perderam 15 pontos a Leitura e 12 a Matemática. Ciências aguentou melhor a queda, com menos três pontos.
O número que dói é o da Leitura: é o pior desde que Portugal entra nestes testes, em 2000. A Matemática, o país está agora perto do que fazia em 2003, e o recuo acumulado desde 2018 chega aos 32 pontos.
O que significa estar na média da OCDE
Vale a pena separar duas coisas que costumam andar juntas nos títulos. Portugal está praticamente colado à média da OCDE, que se fixou em 463 pontos a Matemática, 461 a Leitura e 482 a Ciências. Ou seja: em termos comparados, o país continua ali no meio da tabela, em 30.º lugar a Matemática, 26.º a Leitura e 29.º a Ciências entre 91 países e economias.
O problema não é a posição. É a trajetória. Durante duas décadas Portugal foi um dos casos que a OCDE citava como exemplo de progresso continuado, e esse ganho está agora praticamente todo devolvido. A prova de 2025 foi feita por 6.945 alunos de 225 escolas portuguesas, dentro de um universo de 760 mil estudantes em 91 sistemas educativos, e os detalhes metodológicos estão no programa PISA da OCDE.
A reação do Governo
O secretário de Estado Alexandre Homem Cristo falou em resultados “historicamente negativos” e admitiu preocupação no Ministério da Educação. Argumentou, ao mesmo tempo, que a queda medida numa prova de 2025 não é imputável de forma direta ao período deste Governo, embora o executivo se sinta responsável por encontrar respostas.
É um argumento defensável e também previsível. A prova foi feita a alunos que passaram os anos decisivos da escolaridade antes deste mandato, e as políticas educativas demoram anos a aparecer nos indicadores. Isso, porém, não resolve o problema de quem tem 15 anos agora.
Do lado dos professores, o diagnóstico aponta para a falta de docentes colocados e para a instabilidade das equipas nas escolas, um tema que já se cruzou com a discussão sobre incentivos à colocação em zonas carenciadas, como o suplemento de 750 euros que deixou todo o Alentejo de fora. Há também quem defenda o regresso às políticas dos anos 2000, precisamente o período em que os gráficos portugueses subiam.
O PISA repete-se de três em três anos. A próxima leitura chega em 2028, e é aí que se saberá se 2025 foi um vale ou um patamar. Entretanto, os dados demográficos do INE mostram uma coorte escolar que continua a encolher, o que torna cada aluno estatisticamente mais visível e cada decisão de política educativa mais pesada.
Por Marta Carneiro
Gráfico: Tugadaily · Dados: OCDE, PISA 2025